quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bolha imobiliária em Brasília e Entorno!

Mas, do alto da minha ignorância, o que vejo acontecer me lembra muito as tulipas holandesas do século XVII: o preço delas chegou a um patamar tão elevado que muitas pessoas compravam terras e casas com elas. Mas chegou o dia em que havia tantas tulipas no mercado que a bolha estourou, levando com ela as economias de muitos investidores.


VEJA OS DETALHES E FIQUE ESPERTO!

http://opequenoinvestidor.com.br/2009/11/bolha-imobiliaria-em-brasilia/ 

Ainda a bolha imobiliária de Brasília...
http://opequenoinvestidor.com.br/2009/11/ainda-a-bolha-imobiliaria-de-brasilia/  

A bolha imobiliária de brasília e os aluguéis
http://opequenoinvestidor.com.br/2009/11/a-bolha-imobiliaria-de-brasilia-e-os-alugueis/ 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Avaliação de Imóveis pela ABNT

As normas brasileiras da ABNT que estabelecem os procedimentos para avaliação de imóveis são:

NBR 14653-1 - Avaliação de bens - Parte 1: Procedimentos gerais;

NBR 14653-2 - Avaliação de bens - Parte 2: Imóveis urbanos e

NBR 14653-3 - Avaliação de bens - Parte 3: Imóveis rurais

Nos aspectos que dizem respeito à avaliação de imóveis, segundo as definições das normas, na elaboração do laudo de avaliação patrimonial são considerados os seguintes elementos que influenciam o valor final do imóvel:

PARA A AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS:

Aproveitamento eficiente

Aquele recomendável e tecnicamente possível para o local, numa data de referência, observada a tendência mercadológica nas circunvizinhanças, entre os diversos usos permitidos pela legislação pertinente

Área de servidão

Parte do imóvel serviente diretamente atingida pela servidão

Área total de construção

Resultante do somatório da área real privativa e da área comum atribuídas a uma unidade autônoma, definidas conforme a ABNT NBR 12721

Área útil da unidade

Área real privativa, definida na ABNT NBR 12721, subtraída a área ocupada pelas paredes e outros elementos construtivos que impeçam ou dificultem sua utilização

BDI

Percentual que indica os benefícios e despesas indiretas incidentes sobre o custo direto da construção

Códigos alocados

Ordenação numeral (notas ou pesos) para diferenciar as características qualitativas dos imóveis

Conciliação

Adoção do valor final, devidamente justificado, em função dos resultados obtidos, quando utilizado mais de um método

Defeitos construtivos

Anomalias que podem causar danos efetivos ou representar ameaça potencial à saúde ou à segurança do usuário, decorrentes de falhas do projeto, do serviço ou do material aplicado na execução da construção

Depreciação física

Perda de valor em função do desgaste das partes constitutivas de benfeitorias, resultante de decrepitude, deterioração ou mutilação

Desmembramento

Subdivisão de um terreno em lotes destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique a abertura de novas vias e logradouros públicos, nem o prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes

Domínio

Direito real que submete a propriedade, de maneira legal, absoluta e exclusiva, ao poder e vontade de alguém

Domínio direto

Aquele pertencente ao proprietário do imóvel sob o instituto da enfiteuse

Domínio pleno

Domínio total, que é a soma do domínio útil com o domínio direto

Domínio útil

Direito atribuído ao enfiteuta de se utilizar do imóvel, podendo extrair dele seus frutos, vantagens e rendimentos econômicos

Edifício

Construção com mais de um pavimento, destinada a abrigar atividades institucionais, comerciais, industriais ou habitações multifamiliares

Equipamento comunitário

Benfeitoria que visa atender às necessidades básicas de saúde, educação, transporte, segurança ou lazer da comunidade

Entidades técnicas reconhecidas

Organizações e instituições, representativas dos engenheiros de avaliações e registradas no sistema CONFEA/CREA

Estado de conservação

Situação física de um bem em decorrência de sua manutenção

Fração ideal

Percentual pertencente a cada um dos compradores (condôminos) no terreno e nas coisas comuns da edificação

Frente projetada

Menor projeção da frente real sobre a normal a um dos lados, quando estes são convergentes na direção dos fundos, ou a corda, no caso de frente em curva

Frente real

Projeção horizontal da linha divisória do imóvel com a via de acesso

Frente de referência

Frente da situação paradigma adotada

Gabarito de altura

Altura máxima de uma edificação permitida legalmente para um determinado local

Gleba urbanizável

Terreno passível de receber obras de infra-estrutura urbana, visando o seu aproveitamento eficiente, através de loteamento, desmembramento ou implantação de empreendimento

Idade aparente

Idade atribuída ao imóvel de modo a refletir sua utilização, funcionalidade, partido arquitetônico, materiais empregados, entre outros

Idade real

Tempo decorrido desde a conclusão de fato da construção até a data de referência

Imóvel alodial

Aquele livre de quaisquer ônus, encargos, foros ou pensões

Imóvel de referência

Dado de mercado com características comparáveis às do imóvel avaliando

Imóvel dominante

Imóvel que impõe restrição a outro por servidão (por exemplo: lote encravado)

Imóvel paradigma

Imóvel hipotético cujas características são adotadas como padrão representativo da região ou referencial da avaliação

Imóvel com vocação urbana

Imóvel em local com características, uso, ocupação, acesso e melhoramentos públicos disponíveis que possibilitam sua utilização imediata para fins urbanos

Imóvel urbano

Imóvel situado dentro do perímetro urbano definido em lei

Imóvel serviente

Imóvel que sofre restrição imposta por servidão

Infra-estrutura básica

Equipamentos urbanos de escoamento das águas pluviais, iluminação pública, redes de esgoto sanitário, abastecimento de água potável, de energia elétrica pública e domiciliar e as vias de acesso

Lote

Porção de terreno resultante de parcelamento do solo urbano

Loteamento

Subdivisão de gleba em lotes destinados a edificações, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias existentes

Luvas

Quantia paga pelo futuro inquilino, para assinatura ou transferência do contrato de locação, a título de remuneração do ponto comercial

Manutenção

Ações preventivas ou corretivas necessárias para preservar as condições normais de utilização de um bem

Outlier

Ponto atípico, identificado como estranho à massa de dados, que, ao ser retirado, melhora a qualidade de ajustamento do universo analisado

Padrão construtivo

Qualidade das benfeitorias em função das especificações dos projetos, de materiais, execução e mão-de-obra efetivamente utilizados na construção

Pé-direito

Distância vertical livre entre o piso e o teto

Percentual de comprometimento de área

Relação entre a área objeto de gravame e a área total do imóvel

Percentual de comprometimento de valor

Relação entre os valores da área atingida por um gravame, antes e depois da sua instituição

Planta de valores

Representação gráfica ou listagem dos valores genéricos de metro quadrado de terreno ou do imóvel numa mesma data

Pólo de influência

Local que, por suas características, influencia os valores dos imóveis, na medida de sua proximidade

Ponto comercial

Bem intangível que agrega valor ao imóvel comercial, decorrente de sua localização e expectativa de exploração comercial

Ponto influenciante

Ponto atípico que, quando retirado da amostra, altera significativamente os parâmetros estimados ou a estrutura linear da amostra

Posse

Detenção ou ocupação, com ou sem fruição, de coisa ou direito

Profundidade equivalente

Resultado numérico da divisão da área de um lote pela sua frente projetada principal

Quota-parte

Valor atribuído a uma fração ideal

Renda

Fruto da exploração de bens ou direitos, ou aplicação de capital

Segmento de área diretamente desmembrável

Parte de um terreno com frente para vias ou logradouros públicos oficiais, passível de aproveitamento econômico e legal

Terreno de fundo

Aquele que, situado no interior da quadra, se comunica com a via pública por um corredor de acesso

terreno encravado

Aquele que não se comunica com a via pública

Terreno interno

Aquele localizado em vila, passagem, travessa ou local assemelhado, acessório da malha viária do Município ou de propriedade de particulares, e que não consta oficialmente na Planta Genérica de Valores do Município

Terrenos acrescidos de marinha

Terrenos que se formarem, natural ou artificialmente, para o lado do mar ou dos rios e lagoas, em seguimento aos terrenos de marinha

Terrenos de marinha

Terrenos, em uma profundidade de 33 m, medidos horizontalmente, para a parte da terra, da posição da linha do preamar-médio de 1831, que:
a) são situados no continente, na costa marítima, nas ilhas e nas margens dos rios e lagoas, até onde se faça sentir a influência das marés;
b) contornam as ilhas situadas em zonas onde se faça sentir a influência das marés

Testada

Medida da frente

Unidade imobiliária padronizada

Imóvel de ocorrência usual e repetitiva no mercado imobiliário, comprovada através de pesquisa específica, e identificado de acordo com suas características construtivas

Valor depreciável

Diferença entre o custo de reprodução da benfeitoria e o seu valor residual

Variáveis-chave

Variáveis que, a priori e tradicionalmente, são importantes para a formação do valor do imóvel

Variáveis independentes

Variáveis que dão conteúdo lógico à formação do valor do imóvel objeto da avaliação

Variáveis qualitativas

Variáveis que não podem ser medidas ou contadas, mas apenas ordenadas ou hierarquizadas, de acordo com atributos inerentes ao bem (por exemplo: padrão construtivo, estado de conservação, qualidade do solo)

Variáveis quantitativas

Variáveis que podem ser medidas ou contadas (por exemplo: área privativa, número de quartos, número de vagas de garagem)

Variável dependente

Variável que se pretende explicar pelas variáveis independentes

Variável dicotômica

Variável que assume apenas dois valores

Variável proxy

Variável utilizada para substituir outra de difícil mensuração e que se presume guardar com ela relação de pertinência

Vício

Anomalia que afeta o desempenho de produtos ou serviços, ou os torna inadequados aos fins a que se destinam, causando transtornos ou prejuízos materiais ao consumidor

Vício construtivo

Vício que decorre de falha de projeto, de material aplicado na construção ou de execução

Vício de utilização

Vício que decorre de utilização inadequada ou falha na manutenção

Vocação do imóvel

Uso economicamente mais adequado de determinado imóvel em função das características próprias e do entorno, respeitadas as limitações legais

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Corretores na mira!

Geralmente as notícias que são publicadas a respeito da bolha imobiliária, costumam citar como os corretores fazem propagandas exageradas a respeito do imóvel que desejam vender. Boa parte dessa propaganda de fato acaba iludindo o comprador, tal como promessa de valorização constante do imóvel, prestações baixas (sem levar em conta os ajustes mensais que seguem algum índice), a melhor localização do mundo etc. Isso acaba ajudando também na valorização dos imóveis.
Obviamente o corretor faz isso porquê ele ganha uma certa comissão na venda do imóvel. Essa comissão geralmente costuma variar entre 3% (se for um corretor filiado a uma imobiliária), chegando em média até 6% (no caso de corretores autônomos).
Daí vem a pergunta? O corretor deve mesmo torcer para a alta dos preços dos imóveis? Eu diria que não, e eis a explicação: Quanto mais alto for o preço dos imóveis, em tese, menos pessoas irão comprar, buscando no  aluguel uma alternativa à moradia. Isso significa que os corretores terão menos clientes e uma concorrência maior (seus "colegas" de profissão e que vão disputar seus clientes). Menos imóveis para vender significa menos comissão para os corretores.

É claro que num momento de especulação forte, como o que acredito estar acontecendo no setor imobiliário brasileiro de uma forma geral, os corretores não estão preocupados com a sustentabilidade do negócio, e sim com os ganhos atuais.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Brasília está fazendo uma BOLHA

Mais um excelente artigo a cerca do assunto da bolha imobiliária que vem se formando em Brasília. Foca também em como a corrupção generalizada tem feito o preço subir de forma meramente especulativa.

http://www.forumimobiliario.com.br/Marketing-Imobiliario/as-licoes-que-vem-de-brasilia.html

"Outro exemplo bastante comum, é  o do cidadão que compra o imóvel para especular. Tudo funciona assim: o investidor paga R$ 50.000,00 de  entrada no imóvel, que custa R$ 400.000,00, e paga prestações mensais de R$ 1.000,00. Mas a intenção dele não é comprar o imóvel, mas apenas especular com os preços. Dois anos depois, aquele imóvel está valendo R$ 600.000,00. Ele, então, vende o ágio por R$ 274.000,00 - os R$ 50.000,00 de entrada, mais R$ 24.000,00 que foram pagos de prestações mensais, mais os R$ 200.000,00 de valorização do imóvel. Ou seja, um lucro bruto de 270% em dois anos - lucro de R$ 200.000,00, tendo investido R$ 74.000.

É uma forma antiga, eu diria até “tradicional” de investimento no setor imobiliário. Funciona. Desde que os preços não se estabilizem (se caírem, então, é uma tragédia). Do jeito que está acontecendo em Brasília, esse esquema se parece com as “pirâmides” financeiras e não tem sustentabilidade no longo prazo."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Avaliação, o que o mercado diz?!!! nem tudo é verdade!

Como avaliar um imóvel usado?

Na hora de comprar ou vender um imóvel usado, fica a dúvida se o valor cobrado é justo. Quem vende, pensa estar perdendo (99%), pensa que poderia esperar um pouco e fazer um negócio melhor. Para quem compra, pensa que procurou pouco e até pode estar sendo enganado.
Para que isso não aconteça, é necessário observar certos aspectos, que vão desde a localização do imóvel até mesmo o seu estado de conservação.
Outros detalhes, no caso de apartamentos, como área de lazer e quantidade de garagens, também são essenciais para se avaliar adequadamente uma unidade. Contratar um profissional sempre é a melhor escolha.
Em um mesmo edifício é possível encontrar apartamentos de preços variados, dependendo de sua posição. Andares mais altos são mais caros e se forem voltados para o sol da manhã, também possuem um acréscimo no valor. Em lugares em que a temperatura é muito alta, muito quente a busca é a face sul. Mas, quando a região é mais fria, a busca é para a face norte.
Acabamento . O acabamento e o estado de conservação do imóvel vêm em segundo lugar. Nesse caso, a idade do imóvel é importante, assim como o acabamento da fachada de um prédio. Imóveis mais conservados causam uma primeira impressão melhor do que se estivessem com a pintura gasta ou algum tipo de vazamento. Uma reforma na fachada irá onerar a taxa do condomínio.
Uma reforma interna também deve ser levada em consideração. Os serviços básicos de manutenção devem ser calculados antes de avaliar ou colocar o imóvel à venda. O comprador hoje é um público muito exigente e pode fazer o preço inicial cair por causa desses pequenos detalhes. O valor gasto na pintura de um apartamento de R$ 160 mil, por exemplo, não chega a 0,5% do preço do imóvel. Quando os gastos para a reforma básica assumem um compromisso acima deste valor, significa “problemas sérios”.
Você não pode levar em conta a “personalização”. Se você vai reformar um apartamento, não que seja necessário. Mas, sim uma decoração personalizada, estes calculos não serão levados em conta na avaliação do imóvel. Lembrando que quanto mais você personaliza, mais difícil é vendê-lo mais tarde, se você precisar.
Garagem e área de lazer fazem uma grande diferença. Livre, coberta, descoberta, presa, compartilhada.
O terceiro fator na hora de estabelecer o preço de um imóvel usado são os complementos, como garagens, área de lazer e outros itens, como segurança, que fazem o diferencial na hora da avaliação. Um imóvel pode valer até 10% a mais se tiver uma outra vaga de garagem. E até em 20% se possuir uma área de lazer completa, quando comparado com outro imóvel na mesma rua, com as mesmas características, mas que possua um lazer menor.
Acabamento, localização e vista ajudam a fixar preço. Quando você pensar em colocar o seu apartamento para vender faça uma pesquisa para avaliar o preço médio de imóveis do mesmo porte do seu, nas proximidades. Leve em conta a idade da construção.
A avaliação de um corretor dá mais segurança ao valor pedido, porque é um profissional qualificado para este tipo de trabalho.
O fato do apartamento também já estar todo montado e com acabamento em boas condições também é um fator que pesa na hora de avaliar o imóvel.
Outro ponto são as áreas comuns do prédio, que tem fachada conservada, revestida em granito e uma área de lazer com piscina, churrasqueira, playground e miniquadra. Estrutura.
Avaliação correta e maior segurança.
Quando for verificar o preço para venda ou compra de um imóvel, o interessado pode começar pesquisando os valores cobrados pelo metro quadrado na região, no seu bairro. Esse tipo de avaliação pode ser feito consultando anúncios de vendas ou imobiliárias. Comparar os imóveis à venda na região onde está localizado a unidade que se pretende avaliar, também ajuda a se aproximar do valor real do imóvel.
Mas para chegar ao valor justo, o ideal é consultar um profissional de corretagem de imóveis, devidamente cadastrado junto ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis, solicitando sua visita ao imóvel.
Para quem vai vender um imóvel, o ideal é dar opção de exclusividade de venda ao corretor. Dessa forma, ele trabalha com maior comprometimento, sabendo que é o único profissional trabalhando com aquele imóvel, investindo mais na divulgação do produto e até fazendo parceria com outro corretor sem ônus para o vendedor. Também fica fácil controlar as visitas, o que gera mais segurança para o vendedor.

domingo, 10 de outubro de 2010

Opinião do povo sempre dá ERRADO

Existe um famoso livro de investimentos, chamado Os Axiomas de Zurich, que nos traz um alerta do que pode estar acontecendo hoje em dia com o mercado imobiliário brasileiro:

DÉCIMO GRANDE AXIOMA: DO CONSENSO
Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada.

Jamais embarque nas especulações da moda. Com freqüência, a melhor hora de se comprar alguma coisa é quando ninguém a quer.
Conclusão: Antes de arriscar seu dinheiro seguindo a opinião da maioria, pondere e avalie por si mesmo se a decisão é acertada ou não.


Alguém consegue se lembrar do que aconteceu com o mercado de ações devido a crise de 2008? Revistas, jornais e televisão noticiavam a euforia pelo fato do Brasil ter conseguido o Investment Grade. Era a hora de investir na bolsa, diziam eles. Foi o que a maioria acabou fazendo, e depois, tudo despencou. Se você está comprando um imóvel pensando meramente em investir, pergunte-se: Você está preparado para lidar com a queda de preços? Ou ainda pior, você está preparado para um longo período sem comprador para seu imóvel? Você conseguiria bancar um aumento na taxa de juros?

sábado, 9 de outubro de 2010

Condomínios em Brasília

CorreioWeb - Brasília nossa casa













condomínios

MAIS ESPAÇO PARA CRIAR OS FILHOS





Falta de regulamentação é a grande preocupação dos que trocaram os apartamentos pelas casas erguidas em lotes nas áreas rurais



Renato Alves

da equipe do Correio





Carlos Moura

Na casa de dois pavimentos e seis quartos, o militar aposentado Manoel Aparecido conseguiu abrigar a família de oito pessoas: "em nenhum apartamento do Plano Piloto caberia tanta gente."

Carlos Moura

Marcos Ramos e os filhos no condomínio Bela Vista: crianças vivem soltas no terreno de 1000 m²

No começo, eles enfrentaram muitas dificuldades. Moraram literalmente no
meio do mato, sem água e esgoto, asfalto, telefone, luz nas ruas. Mas em
pouco mais de dez anos, os condomínios entraram definitivamente para a
paisagem urbana de Brasília. Tornaram-se a alternativa da classe média
em busca de moradia. Quem trocou as casas geminadas do Guará, os prédios
minúsculos de Brasília e Taguatinga, pelos terrenos espaçosos
dos condomínios não se arrepende.



  O casal Marcos e Nadja Ramos, ambos de 37 anos, mudou-se para o condomínio
Bela Vista, na região do Colorado, em Sobradinho, há nove anos.
Quando lá chegaram, só havia mato e poucas ruas de terra. Dos mais
de 500 lotes, apenas 23 tinham casa. ‘‘Aqui não tinha telefone
fixo nem celular pegava’’, lembra a advogada Nadja.



  Apesar da falta de estrutura, ela e o marido não desanimaram.
Eles deixaram uma casa no Guará, onde moravam de aluguel, em busca, principalmente,
de segurança. O casal havia passado por três assaltos na residência
do Guará. Além da segurança, Nadja e Marcos encontraram conforto
e liberdade no condomínio.



  Os dois conseguiram erguer uma casa ampla, de três quartos e
varanda em volta de toda a construção. Fazem planos para fazer um
segundo pavimento, piscina e área de lazer no terreno de 1.000 m².
‘‘Aqui, as crianças vivem soltas. Elas têm espaço
e segurança. Meu filho joga bola à vontade. Já a menina anda
de bicicleta por todo o canto’’, conta Nadja, mãe de uma menina
de 9 anos e um menino de 8.



  Com mais espaço, o engenheiro eletricista Marcos passou a reunir
os amigos com mais freqüência em casa. ‘‘Aqui no condomínio
ganhamos em qualidade de vida. Esse foi o melhor investimento que fizemos’’,
ressalta Marcos. Nadja suspira ao falar sobre as belezas do lugar onde escolheu
morar com a família. ‘‘Aqui tem o ar de campo, um vale maravilhoso.
A paisagem justifica o nome do condomínio.’’



  Marcos e Nadja não se incomodam com a aparente distância
de casa para o trabalho — os dois trabalham no Plano Piloto. ‘‘Em
relação a quando morávamos no Guará, aumentou quatro
quilômetros. Mas o trânsito aqui flui bem melhor do que lá.
Tanto que quase todo dia eu e meu marido conseguimos almoçar em casa.’’




  Os professores universitários Flamínio Levir Neto, 44,
e Shih Man Lim — não gosta de revelar a idade — mudaram para
o Bela Vista em 2001, quando o condomínio já estava pronto. Apesar
de morarem em um apartamento confortavale, de três quartos, na 205 Norte,
buscavam mais espaço, segurança e tranqüilidade. Dizem que
encontraram tudo isso no Bela Vista.



  Flamínio Neto e a mulher moram numa casa de 400 m², com
quatro quartos, sala de visita, sala de jantar, dois banheiros, cozinha, área
de serviço. Nos 1.800 m² do terreno, há ainda piscina, churrasqueira
e canil. ‘‘O lote é grande. Temos até horta e um pomar,
com pés de laranja e amora, por exemplo’’, ressalta Shih Man
Lim, que é chinesa. Ela convenceu ainda dois casais amigos a comprarem
lotes no condominío e também se mudarem para lá. ‘‘Foi
só trazê-los aqui. Aliás, todo mundo que pisa aqui fica maravilhado
com a paisagem.’’



Família

Militar aposentado do Exército, Manoel Aparecido de Araújo, 70 anos,
mudou-se com a família para o condomínio Mansões Califórnia,
no Lago Sul, em 1986. ‘‘Quando cheguei aqui, só tinha cinco casas
construídas e uma rua de terra’’, conta o militar.



  Hoje o condomínio tem toda a infra-estrutura. Conta com segurança
particular e áreas de lazer. Dos 108 lotes, 93 estão construídos.
‘‘Transformamos o cerrado em uma cidade, sem nenhuma ajuda do governo.
Aqui colocamos todos os postes e fizemos as instalações para telefone’’,
orgulha-se Manoel de Araújo.



  O terreno de 970m² do militar tem 600 m² de área
construída. Na casa de dois pavimentos, com seis quartos, além do
militar e a mulher dele, Neusa, 65, moram outras oito pessoas — filhos, nora
e netos do casal. ‘‘Em nenhum apartamento do Plano Piloto caberia tanta
gente. Aqui temos todo o conforto’’, ressalta Manoel. O terreno tem
ainda piscina, churrasqueira e canil.

  Antes de se mudar para o condomínio, Manoel de Araújo
viveu uma vida de cigano com a família, por causa da profissão.
Paulista de Pirassununga, o militar veio para Brasília em 1978. Enquanto
esteve na ativa no Exército, morou em apartamentos funcionais. Logo que
aposentou, teve que alugar um apartamento. Escolheu a Asa Sul.



  A busca por mais espaço e a as boas lembrança da casa
no interior paulista levaram Manoel a comprar um lote no condomínio irregular,
entre o Lago Sul e São Sebastião. Todas as economias dele e da mulher,
professora da rede de ensino público do Distrito Federal, foram investidas
no terreno, onde levantaram a bela casa.


Carlos Moura

Tatiana e a filha de quatro meses: sem saudades dos tempos de 406 Sul
Euforia e frustração




A falta de regulamentação do terreno é a dor de cabeça
das 400 mil pessoas que moram em condomínios — segundo a Federação
dos Condomínios; os urbanistas estimam essa população em
250 mil.



  Os moradores dos condomínios viveram momento de empolgação
no ano passado, período de eleição. A euforia veio com as
promessas de regularização dos terrenos por parte do governador
Joaquim Roriz. A extinta Secretaria de Assuntos Fundiários chegou a entregar
certificados de legalização aos proprietários dos lotes —
documento sem nenhum valor legal, segundo a Justiça do Distrito Federal.



  Mas a política do GDF, além de dar esperança
aos moradores de condomínios, inflacionou o mercado imobiliário.
Os lotes nos condomínios viraram negócio altamente lucrativo. Alguns,
como os do Jardim Botânico, chegaram a ter uma valorização
de 1000% em dez anos — subiram de R$ 10 mil para R$ 100 mil.



  Mas, passada as eleições, o GDF mudou a política
de regularização dos condomínios. A Companhia Imobiliária
de Brasília (Terracap) começou a licitar os terrenos que garante
serem seus, inclusive aqueles que são ocupados há mais de dez anos,
como os do Condomínio Hollywood, na região do Colorado.



  Preocupação para os donos de lotes em condomínios,
a mudança de postura do governo agrada ao Ministério Público
e especialistas em ocupação urbana. ‘‘A lei tem que ser
aplicada para todos. Assim como derrubam barracos de madeirites, o governo tem
que derrubar mansões que estejam em terras públicas’’,
afirma o geógrafo Aldo Paviani, do Núcleo de Estudos Urbanos da
Universidade de Brasília (UnB).



  Para Paviani, os condomínios surgiram e cresceram de forma
desordenada por causa da falta de políticas públicas de moradia
para a classe média brasiliense. ‘‘Muita gente, com boa fé,
comprou lotes nesses condomínios irregulares e entrou numa barca furada.
Outros, se aproveitaram da falta de fiscalização e compraram terrenos
para especular no mercado imobiliário.’’



  O presidente do Sindicato das Empresas de Construção
Civil (Sinduscon), Márcio Machado, concorda com o geógrafo Paviani.
Machado também acha que os condomínios surgiram por causa da falta
de planejamento urbano. ‘‘A oferta de moradia para a classe média
não deu conta da demanda’’, afirma.



  Localizados em áreas privilegiadas, com acesso fácil
ao Plano Piloto e preço baixo atraíram os mais diversos públicos.
‘‘O preço era fictício por causa da situação
irregular’’, aponta Márcio Machado.



Sem elevador, com os pés no chão



O casal Ana Isabel e Jorge Luiz da Silva, ambos de 48 anos, não
gastou o dinheiro arrecadado com a venda de um apartamento de três quartos
na 406 Sul numa casa em condomínio. Eles mudaram sim de endereço,
há cinco anos. Trocaram o prédio sem elevador por uma ampla e confortável
casa no condomínio San Diego, entre o Lago Sul e São Sebastião.
Mas resolveram morar de aluguel. Jorge pretende comprar um terreno naquele ou
em outro condomínio, mas só depois que for licitado e o dono tiver
a escritura do lote.



  Enquanto não sai a licitação do San Diego, Ana
Isabel vai curtindo com a família a casa alugada. ‘‘Não
mudamos para uma casa enorme. Mas temos quartos e salas bem mais amplas do que
o apartamento. Aqui também não preciso enfrentar escadas. Mas o
melhor mesmo é a área externa’’, conta ela, que é
a artista plástica e professora de educação artística
da rede pública de ensino.



  Em volta da casa, construída em dois lotes, há piscina,
campo de futebol, um imenso jardim e um canil. Aliás, a possibilidade de
criar animais sem se preocupar com a vizinhança e com espaço de
sobra é outra vantagem apontada por Ana Isabel e sua filha, Tatiana, 22.
‘‘No apartamento tínhamos apenas um cachorrinho, por falta de
espaço. Aqui temos quatro, além de periquitos e tartaruga’’,
diz Tatiana.



  Ana Isabel e Tatiana também não sentem falta da 406
Sul por causa da violência que tomou conta do lugar. Elas morriam de medo
de chegar sozinhas à noite na quadra, por causa dos constantes assaltos
e seqüestros-relâmpagos na área. ‘‘No condomínio
posso passear tranqüilamente com a minha filhinha de quatro meses e chegar
a qualquer hora de carro, sem me preocupar com assaltantes’’, ressalta
Tatiana.



  A distância de casa para o trabalho e a escola das crianças
é compensada pela qualidade de vida. Hoje, esses brasilienses vivem seguros
— com serviços de vigilância 24 horas —, têm espaço
de sobra para receber amigos e parentes, vagas garantidas para os carros. Seus
filhos têm piscina e campo de futebol no quintal, parquinhos bem cuidados
perto de casa.